No XII SAPIS e VII ELAPIS, GEF AP reforça as Trilhas de Longo Curso como motores da conectividade ambiental, turismo comunitário e desenvolvimento territorial sustentável
No eixo de ecoturismo do projeto, as iniciativas do Caminho dos Veadeiros e da Travessia do Mico ilustraram como as TLC impulsionam renda, ecoturismo e conservação da biodiversidade nos territórios
O Projeto GEF Áreas Privadas participou, no último dia 20, em Brasília, do simpósio “Trilhas de Longo Curso: Conectividade, Inclusão Social e Valorização das Áreas Protegidas”, realizado durante o XII SAPIS e VII ELAPIS. O encontro reuniu especialistas, gestores, organizações e representantes comunitários para discutir como as Trilhas de Longo Curso (TLC) vêm se consolidando como estratégias de conservação da biodiversidade, conectividade ambiental e desenvolvimento territorial, aliando proteção das áreas naturais, turismo de base comunitária e geração de renda para populações locais.
Na ocasião, foram apresentadas duas iniciativas apoiadas pelo projeto no Cerrado e na Mata Atlântica: “Caminho dos Veadeiros – relato sobre turismo comunitário e valorização do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Goiás)” e “Travessia Mico-Leão-Dourado: ecoturismo como instrumento de conectividade territorial na Mata Atlântica e geração de renda para comunidades locais”.
Trilhas como política pública para conectar paisagens
O debate também destacou o papel das políticas públicas na consolidação das Trilhas de Longo Curso como estratégias de conservação e desenvolvimento territorial. O analista ambiental do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (DAP/MMA) Samuel Schwaida falou sobre a Rede Brasileira de Trilhas e Conectividade – Rede Trilhas: política pública do MMA que conecta pontos de interesse do patrimônio cultural e natural brasileiro em todo o país, por meio de Trilhas de Longo Curso (TLC).
Schwaida reforçou que esse instrumento busca ampliar e democratizar o acesso às áreas protegidas, proteger paisagens de relevância ambiental e cultural e fortalecer uma cultura de cooperação entre territórios e comunidades.
Segundo Samuel, as trilhas cumprem funções que vão além da recreação, atuando como ferramentas de conservação, geração de emprego e renda e fortalecimento do turismo de natureza. “Quando falamos de Trilhas de Longo Curso, estamos falando de conectividade de paisagens, conservação da biodiversidade e desenvolvimento local acontecendo de forma integrada”.
A fala ganhou ainda mais força com os relatos das mulheres das comunidades da região da APA do Rio São João, beneficiárias do projeto, que compartilharam os impactos já percebidos com a abertura da TLC Travessia do Mico. A apresentação “Travessia Mico-Leão-Dourado: ecoturismo como instrumento de conectividade territorial na Mata Atlântica e geração de renda para comunidades locais” mostrou, na prática, como a trilha vem transformando a relação das comunidades com o território, ampliando oportunidades econômicas e fortalecendo o engajamento local com a conservação da Mata Atlântica.

Ivailse Nascimento, liderança comunitária e coordenadora da Geladeira Cultural de Varginha, em Silva Jardim (Rio de Janeiro), ressaltou como a implementação da Travessia Mico-Leão-Dourado tem contribuído para o desenvolvimento do município e para a valorização da comunidade local.
“O GEF Áreas Privadas e a AMLD vêm fazendo um excelente trabalho. Nós temos recebido vários visitantes e isso tem gerado cada vez mais conhecimento sobre a importância da trilha. É algo que está movimentando muito o meu município e principalmente o meu bairro. As pessoas têm aprendido muito sobre a trilha e cada vez mais visitantes buscam conhecer a cidade e o que acontece nela. Quando a trilha cruza por comunidades é muito importante o impacto que ela causa, pois sempre tem alguém vendendo algo por onde ela passa. Temos artesãos que fazem produções exclusivas para a trilha, mulheres e mães que produzem camisetas, então isso faz a diferença e gera renda para o município”, afirmou.
Produtora agroecológica e condutora de trilhas, Liviane Pires também compartilhou sua experiência durante o simpósio, destacando as oportunidades de negócio geradas. “Eu trabalho na governança da trilha e estar aqui é um grande presente e privilégio, pois são muitas famílias alcançadas pela AMLD e beneficiadas por esse projeto”, declarou. Ela desenvolveu, por exemplo, o “queijo do mico” e vende a iguaria para os turistas que fazem a trilha e visitam a cidade.
Conservação, sociobiodiversidade e desenvolvimento territorial
A coordenadora de Ecoturismo do GEF Áreas Privadas na Funatura, Alexandrina Alves, apresentou a experiência do Caminho dos Veadeiros. A apresentação destacou a Travessia São Jorge–Capela como exemplo de turismo comunitário aliado à valorização do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e das comunidades locais.
“A trilha vai muito além do deslocamento. Ela cria conexões entre pessoas, comunidades, áreas protegidas e territórios, gerando oportunidades para o turismo comunitário e para a valorização do Cerrado”, afirmou.
A apresentação também trouxe experiências relacionadas à sinalização das trilhas, ao fortalecimento da governança local e à estruturação do percurso para ampliar a segurança dos visitantes e os benefícios gerados para as comunidades envolvidas.
Atualmente, o Caminho dos Veadeiros conecta 28 unidades de conservação entre áreas federais, estaduais, municipais e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), em sete municípios da região da Chapada dos Veadeiros, totalizando mais de mil quilômetros de trilhas em implementação apoiada pelo GEF Áreas Privadas.
As discussões abordaram temas como conectividade ecológica, governança territorial, monitoramento de visitação, sinalização padronizada, acessibilidade, fortalecimento de economias locais e valorização de povos e comunidades tradicionais.
O debate também dialogou diretamente com a Meta 3 do Marco Global da Biodiversidade – fortalecido em 17 metas pelo GEF Áreas Privadas –, que propõe combater e reverter a perda da biodiversidade e restaurar ecossistemas degradados.
Nesse contexto, as trilhas foram apresentadas como instrumentos capazes de aproximar conservação da biodiversidade, uso público sustentável e benefícios sociais associados aos territórios.
O XII Simpósio sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS) e o VII Encontro Latinoamericano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (ELAPIS) reuniram pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais e representantes de diferentes iniciativas socioambientais e teve como tema “Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e paz”.
Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Na Mata Atlântica, o projeto é coexecutado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD) e no Cerrado pela Fundação Pró Natureza (Funatura). Os principais objetivos são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem, em áreas privadas no Brasil.
Com informações: Funatura