Oficina fortalece sinalização de trilhas e mobiliza voluntariado para conexão de territórios no Cerrado
Atividade realizada na APA do Planalto Central reuniu voluntários, instituições públicas e organizações parceiras para fortalecer a segurança, o ecoturismo e a conservação ambiental no Caminho dos Veadeiros
A APA do Planalto Central, em Brasília (DF), recebeu no último sábado uma oficina de sinalização voltada à produção de placas para trilhas e caminhos do Caminho dos Veadeiros. A atividade reuniu voluntários, equipes técnicas e instituições parceiras em uma ação prática de fortalecimento do ecoturismo, da conservação ambiental e da conexão entre territórios protegidos no Cerrado.
A oficina integra as ações do eixo de Ecoturismo do Projeto GEF Áreas Privadas, iniciativa coordenada tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), implementada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), executada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e realizada pela Funatura no Cerrado.
Além da produção das placas, a atividade também reforçou o papel do voluntariado e da gestão colaborativa na manutenção das trilhas de longo curso, promovendo pertencimento, segurança para visitantes e valorização dos territórios.
Sinalização como ferramenta de segurança e pertencimento
As placas seguem o padrão nacional de sinalização das trilhas de longo curso, reconhecido pelas pegadas pretas e amarelas que conectam caminhos em diferentes regiões do Brasil.
Coordenadora de Ecoturismo da Funatura, Alexandrina Alves destacou que a oficina vai além da instalação de placas e fortalece a relação das pessoas com o território. Para Alexandrina, a sinalização também é uma ferramenta de pertencimento e educação ambiental.
“A gente sempre fala que só cuida daquilo que conhece. Quando a pessoa participa da construção de uma placa, entende o valor dela e o quanto ela é importante para quem percorre a trilha”, afirma.
Ela também destaca o reaproveitamento da madeira utilizada na oficina, proveniente de apreensões e de áreas afetadas por incêndios florestais. “Aqui na APA do Planalto Central isso é muito bacana, porque conseguimos reaproveitar materiais apreendidos para trazer segurança para as trilhas”, explica.
A produção das placas é realizada na marcenaria da APA do Planalto Central, sob responsabilidade de Edilson Pereira de Sales, que atua há cinco anos na confecção da sinalização.
Segundo Edilson, a iniciativa alia reutilização de materiais, segurança para visitantes e fortalecimento das ações de conservação. “A madeira que poderia se deteriorar ganha uma nova função. Ela se transforma em sinalização para trilhas e caminhos, ajudando caminhantes e ciclistas a se orientarem e tornando a experiência mais segura”, afirma.

Segurança, planejamento e experiência do visitante
Chefe da APA do Planalto Central e analista ambiental do ICMBio, Samuel Coelho ressaltou que a sinalização é um dos principais elementos para garantir segurança e qualidade na experiência dos usuários das trilhas.
Para Samuel, um dos maiores desafios do turismo no Brasil ainda está relacionado à orientação dos visitantes. “Muitas vezes, um pictograma, uma seta ou uma indicação simples traz segurança para quem está caminhando. A pessoa entende que está no lugar certo, que é bem-vinda naquele local e percebe que existe planejamento e organização”, destaca.
Segundo ele, a padronização da sinalização fortalece a identidade das trilhas e contribui para a conexão entre áreas protegidas e corredores ecológicos.
“O trabalho das trilhas ajuda na conexão das unidades de conservação, apoia a criação de corredores ecológicos e fortalece a economia das regiões que recebem visitantes. O turista deixa benefícios econômicos para as comunidades locais e isso gera impactos positivos para o território”, afirma Samuel.
O analista ambiental também reforçou a importância da construção coletiva das ações de visitação e manejo das trilhas.
“Quando o planejamento da visitação é feito com vários atores, conseguimos manter as ações acontecendo mesmo com equipes reduzidas. Hoje, somos apenas cinco servidores efetivos para cuidar de aproximadamente 504 mil hectares na APA do Planalto Central. Sem o apoio dos voluntários e das instituições parceiras, sinceramente, não conseguiríamos realizar esse trabalho”, afirma.
Caminho dos Veadeiros impulsiona conservação e desenvolvimento local
Analista ambiental do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Samuel Schwaida destacou que o Caminho dos Veadeiros foi concebido como uma estratégia integrada de conservação ambiental, recreação em contato com a natureza e geração de emprego e renda.
A rota se estende da divisa do Distrito Federal até Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros (GO), passando por sete municípios.
Segundo Schwaida, o caminho cria oportunidades para comunidades e proprietários rurais desenvolverem atividades ligadas ao ecoturismo, como hospedagem, alimentação, transporte de bagagens, condução de visitantes e serviços de apoio.
“O Caminho dos Veadeiros induz o desenvolvimento do ecoturismo nas regiões por onde passa e fortalece o ordenamento da visitação em áreas sensíveis”, explica.
Ele também destaca que o projeto tem contribuído para tornar o turismo mais sustentável no Cerrado.
“Em algumas áreas, trilhas antigas foram substituídas por trajetos mais sustentáveis, evitando áreas vulneráveis e promovendo um turismo mais responsável”, afirma.
Voluntariado fortalece governança e conexão entre comunidades
A oficina também contou com a participação de voluntários envolvidos na construção e manutenção do Caminho dos Veadeiros.
Para o voluntário Julio Itacaramby, o projeto vai muito além da criação de uma trilha.
“É muito mais que uma trilha. É uma conexão de comunidades, um corredor ecológico em potencial e uma oportunidade de geração de renda. Une governança, conservação e recreação”, afirma.
Julio também destacou a importância do engajamento coletivo e da participação das novas gerações nas ações de conservação.
“Essa construção de baixo para cima, baseada no voluntariado, cria pertencimento e aproxima as pessoas do território. Desde pequenos, que começam a entender a importância do Cerrado e da conservação ambiental”, destaca.

Conservação conectada entre pessoas, territórios e natureza
Há quase quatro décadas, a Funatura atua na promoção da conservação da biodiversidade e no fortalecimento de iniciativas que conectam natureza, pessoas e territórios. No Cerrado, a instituição desenvolve ações voltadas à conservação ambiental, ao fortalecimento de áreas protegidas, ao ecoturismo sustentável e à valorização das comunidades locais.
A oficina de sinalização reforça esse compromisso coletivo de construir caminhos que promovam segurança, pertencimento, geração de renda e conservação da biodiversidade em um dos biomas mais ameaçados do país.
Texto: Lara Réquia