Mosaico Veadeiros–Paranã avança com adesão de RPPNs e fortalecimento da governança territorial no Cerrado
Proposta busca fortalecer a conectividade ecológica, a conservação da biodiversidade e a articulação entre áreas protegidas na região do Nordeste Goiano
A proposta de reconhecimento do Mosaico de Áreas Protegidas Veadeiros–Paranã segue avançando na região da Chapada dos Veadeiros e Terra Ronca, consolidando importantes articulações voltadas à conservação integrada da paisagem, à conectividade ecológica e ao fortalecimento da governança territorial no Cerrado.
Atualmente, a proposta reúne 3 Unidades de Conservação Federais (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Floresta Nacional de Mata Grande, Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca), 4 municipais (ARIE Córrego Manhana, Parque Municipal Abílio Herculano Szervinks, Parque Municipal Barragem e Parque Municipal Distrito de São Jorge todas em Alto Paraíso de Goiás) e 39 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), totalizando aproximadamente 280 mil hectares de Unidades de Conservação (UCs) conectadas ao território.
Entre os avanços mais recentes está a adesão formal de 39 RPPNs ao processo de reconhecimento do mosaico, demonstrando o fortalecimento do engajamento de proprietários de áreas privadas na construção de estratégias coletivas de conservação.
A iniciativa busca promover uma gestão integrada da paisagem, articulando diferentes categorias de áreas protegidas, instituições públicas, organizações da sociedade civil, proprietários de RPPNs e iniciativas territoriais voltadas à proteção da biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável.

Para Verônica Theulen, coordenadora de Gestão Territorial do Projeto GEF Áreas Privadas pela Funatura, o fortalecimento da governança territorial é um dos principais caminhos para ampliar a conservação do Cerrado em escala de paisagem.
“O mosaico fortalece a integração entre diferentes áreas protegidas e atores do território, criando condições para uma atuação mais articulada diante de desafios como os incêndios florestais, a fragmentação da paisagem e as pressões sobre os recursos naturais”, destaca.
Além da mobilização junto às RPPNs, o processo também vem sendo construído por meio de articulações com instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prefeituras municipais, Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (REMAP) e representantes de territórios tradicionais, fortalecendo o diálogo sobre estratégias integradas de conservação e planejamento territorial.
As ações também contribuíram para o fortalecimento institucional da Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros, que recentemente estruturou seu Comitê de Coordenação e avançou na definição de estratégias voltadas à prevenção e ao manejo integrado do fogo na região, com a Articulação Veadeiros, um coletivo que junta esforços para a prevenção e combate de incêndios nas RPPNs da Chapada dos Veadeiros.
Nesse contexto, um dos temas prioritários discutidos no âmbito da gestão territorial tem sido o enfrentamento aos incêndios florestais. Levantamento realizado junto às propriedades integrantes da Rede de RPPNs identificou forte interesse dos proprietários em ações colaborativas de prevenção, capacitação de brigadistas e cooperação territorial.
Para Pedro Bruzzi, articulador do projeto e superintendente executivo da Funatura, a construção de soluções integradas para gestão do fogo depende da articulação entre diferentes atores e da compreensão do território como uma paisagem conectada.
“Os incêndios não respeitam limites territoriais. Por isso, pensar na prevenção e manejo do fogo exige cooperação entre propriedades privadas, brigadas voluntárias, unidades de conservação, comunidades e instituições públicas. A gestão territorial permite justamente construir essas conexões”, afirma.
Outro avanço importante do eixo foi a elaboração do Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF), voltado para a Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros, em alinhamento às estratégias da Articulação Veadeiros para fortalecer a gestão territorial integrada, a conservação da biodiversidade e a prevenção de incêndios na região.
A proposta do Mosaico Veadeiros–Paranã também foi apresentada em espaços de articulação regional e nacional, como o VIII Fórum do Caminho dos Veadeiros e reuniões promovidas pela REMAP, ampliando sua visibilidade e fortalecendo o debate sobre gestão integrada da paisagem e conservação em escala territorial. Em maio deste ano, a proposta foi formalmente protocolada junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), marcando um importante avanço rumo ao seu reconhecimento oficial.
As ações integram o eixo transversal de Gestão Territorial do Projeto GEF Áreas Privadas, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com execução da Funatura no Cerrado. Além deste, o monitoramento da biodiversidade, o agroextrativismo sustentável e ecoturismo são outros eixos do projeto coexecutado pela instituição.
Na Mata Atlântica, a Gestão Territorial também é um eixo transversal do projeto, lá coexecutado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD).
Os principais objetivos do GEF Áreas Privadas são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem, em áreas privadas no Brasil.
Texto: Lara Réquia