GEF AP apoia a criação de novas RPPNs em biomas estratégicos
Iniciativa do GEF Áreas Privadas fortalece a conectividade ecológica e contribui para a proteção da biodiversidade na Mata Atlântica e no Cerrado
No Brasil, estima-se que mais da metade da vegetação nativa remanescente se encontra em áreas privadas, segundo o MapBiomas. Esse cenário reforça o papel estratégico das propriedades rurais na conservação da biodiversidade.
Alinhado a esse objetivo, o Projeto GEF Áreas Privadas, em parceria com a Funatura, apoia a criação de, pelo menos, 10 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), com foco prioritário nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.
O foco nessas regiões se justifica por sua relevância estratégica para a conservação da biodiversidade no país. O Cerrado ainda apresenta elevadas taxas de desmatamento fortemente associadas à expansão agropecuária, enquanto a Mata Atlântica já teve grande parte de sua cobertura original suprimida, restando hoje fragmentos que demandam ações urgentes de proteção e conectividade.
A iniciativa do GEF AP inclui articulação com órgãos ambientais, orientação sobre documentação e acompanhamento técnico com os proprietários, ao longo de todo o processo de criação de RPPNs. Nas redes sociais, a mobilização do projeto em prol da causa gerou uma dezena de solicitações novas de proprietários interessados em proteger a natureza de forma voluntária.
Conservação da biodiversidade em áreas privadas

As RPPNs são unidades de conservação de domínio particular e caráter perpétuo. Elas são criadas de forma voluntária por proprietários privados e têm papel estratégico na conservação da biodiversidade no Brasil.
Ao contribuir com a conectividade da paisagem, as RPPNs atuam como corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa, preservam habitats naturais e favorecem o fluxo de espécies – garantindo a manutenção da diversidade genética e a resiliência dos serviços ecossistêmicos.
Quando uma RPPN é criada, ela passa a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), tem proteção legal permanente e pode se associar a atividades educativas, de ecoturismo, recreativas ou de pesquisa científicas – conforme o seu plano de manejo.
Em comparação a outras Unidades de Conservação, as RPPNs são facilmente criadas. Elas contribuem para ampliar as áreas protegidas do país e para proteger a biodiversidade nos biomas brasileiros.
Integrando o valor de conservação em propriedades particulares
O Projeto GEF Áreas Privadas contempla as RPPNs em seus três componentes. As ações incluem desde a criação e consolidação de áreas protegidas, até a integração do valor de conservação em instrumentos de gestão territorial.
Ao incentivar a criação de novas RPPNs, o Projeto GEF Áreas Privadas contribui para a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais, a proteção espécies e seus habitats, a regulação do clima local e a conservação da biodiversidade brasileira como um todo.
Para gerar condições cada vez melhores para quem decide conservar de forma voluntária, o GEF Áreas Privadas segue impulsionando a criação e a melhoria de políticas públicas ambientais.
Um exemplo é o apoio do projeto à Cota de Reserva Ambiental (CRA), instrumento que incorpora o valor de conservação em áreas privadas em ferramentas de gestão e estimula avanços na agenda de regularização ambiental.
Texto: Maria Seabra
O Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Os principais objetivos são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem em áreas privadas no Brasil.