Pecuária sustentável e agroecologia: visita técnica destaca a promoção de modelos produtivos na Bacia do Rio São João
As atividades apresentaram alternativas sustentáveis e economicamente viáveis para a produção rural, com destaque para a pecuária de baixo impacto como estratégia de construção de paisagens mais resilientes, produtivas e ambientalmente equilibradas
Especialistas e representantes do poder público participaram de uma visita técnica a propriedades rurais na Bacia do Rio São João (RJ), com o objetivo de conhecer experiências que integram pecuária sustentável, agroecologia e restauração de paisagens. A atividade, realizada no final de fevereiro, contou com o apoio do Projeto GEF Áreas Privadas e da Associação Mico-Leão-Dourado, e teve a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
A iniciativa evidenciou o potencial de articulação entre diferentes setores como caminho para promoção do manejo sustentável da paisagem. A presença de representantes do MMA, do MAPA, da academia, da sociedade civil e de proprietários rurais da região, demonstrou, na prática, que esse arranjo multisetorial é o modelo ideal para impulsionar iniciativas que conciliam produção e conservação.
Para Leonardo Correia, coordenador-geral de Gestão de Paisagens Rurais do MMA, experiências como essas têm potencial de influenciar políticas públicas em escala nacional.
“O que está sendo desenvolvido aqui se consolida como referência para outras regiões do país. A pecuária ocupa grande parte do território brasileiro, e iniciativas como essa mostram que é possível alinhar produção e conservação de forma concreta”, afirmou.
Dentro do escopo do Projeto GEF Áreas Privadas está a implementação de unidades demonstrativas de manejo sustentável da paisagem nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, com o objetivo de estimular a geração de renda aliada à conservação. A unidade demonstrativa apoiada pelo projeto na Mata Atlântica integra práticas de agroecologia, pecuária sustentável, restauração, monitoramento da fauna e ecoturismo, configurando um modelo que busca enfrentar a degradação ambiental e o esgotamento do solo, ao mesmo tempo em que amplia a conectividade e melhora os habitats para espécies ameaçadas.
Essas unidades são concebidas como espaços estratégicos para testar, validar e difundir soluções que integrem sistemas agroflorestais, restauração ecológica e pecuária de baixo impacto, contribuindo para a construção de modelos replicáveis de desenvolvimento territorial sustentável.

Segundo Alexandre Barcellos, pesquisador da Embrapa e atualmente no Departamento de Recuperação de Áreas Degradadas, de Desenvolvimento Territorial e Florestal Sustentável (DEFLO) do MAPA, a visita evidenciou a convergência entre políticas públicas e iniciativas locais.
“Temos aqui uma oportunidade concreta de desenvolver um trabalho significativo para a região, com foco na recuperação de áreas de pastagem, na intensificação sustentável da produção e na agregação de valor, sempre com forte atenção às questões ambientais”, destacou.
A programação incluiu visitas ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado e a propriedades nos municípios de Silva Jardim e Rio Bonito. No Sítio Aldeia Velha, em Silva Jardim, foi apresentada uma área demonstrativa de pecuária sustentável, localizada próxima a uma área recentemente integrada à RPPN Parque do Mico II, atualmente em processo de restauração. No local, foram apresentadas técnicas de manejo de pastagem voltadas à intensificação produtiva com redução de área, permitindo maior eficiência no ciclo de produção e menor pressão sobre o uso do solo.
A agenda contemplou ainda o Sítio Baobá, em Rio Bonito, que desenvolve um sistema agroflorestal de cacau com cerca de 500 pés, com apoio técnico da Associação Mico-Leão-Dourado, e produção de chocolate. Além da produção sustentável, o local também atua como espaço de educação ambiental, oferecendo visitas guiadas que apresentam todas as etapas do processo produtivo.
“Essa é uma pauta estratégica para o projeto, pois conecta conservação da biodiversidade, restauração de paisagens e produção rural. Nosso objetivo é aproximar diferentes atores, desde o produtor ao ambientalista, em torno de soluções que gerem benefícios comuns”, destaca Mayne Moreira, coordenadora técnica do Projeto GEF Áreas Privadas.