Cadeia produtiva da baunilha do Cerrado ganha impulso com apoio técnico ao cultivo
Ação dá continuidade à formação de produtores e extrativistas no território da Chapada dos Veadeiros
O fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade segue avançando na Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto. Entre os dias 14 e 18 de fevereiro, a equipe técnica da Funatura esteve em campo acompanhando a aplicação prática do conhecimento adquirido durante o curso realizado em Brasília.
A visita permitiu avaliar e orientar a forma como cada agricultor e agricultora implantou o seu viveiro e como estão aplicando as técnicas de cultivo da baunilha do Cerrado, orientando sobre ajustes técnicos em diferentes estágios de implantação.
O acompanhamento direto é uma etapa fundamental para otimizar a produção, reduzir perdas, diversificar a renda e fortalecer a autonomia das comunidades envolvidas.
Para Gustavo Assis, coordenador de agroextrativismo da Funatura, a presença contínua no território é essencial para a troca de experiências entre agricultores e agricultoras, para estimular o engajamento de novos participantes e para promover o desenvolvimento do nível de maturidade de cada organização produtiva envolvida, criando bases sólidas para alcançar resultados concretos.
“A capacitação é apenas o ponto de partida. O acompanhamento técnico no campo garante que o conhecimento seja aplicado de forma adequada, o que fortalece a produção e contribui para estruturar cadeias de valor mais sustentáveis, capazes de gerar renda em condições de trabalho digno e conservar o Cerrado ao mesmo tempo.”
Além do monitoramento da aplicação das técnicas de cultivo, a equipe técnica conheceu iniciativas de desenvolvimento de novos produtos , estratégias para agregar valor, parcerias em andamento e pontos de comercialização da produção de baunilha do Cerrado dos agricultores e agricultoras familiares.

Para as participantes da formação, o processo representa não apenas aprendizado técnico, mas também novas perspectivas de geração de renda e permanência no território.
Diana Muniz Martins, agricultora da Comunidade Forte e participante do curso, destaca que a formação e o acompanhamento trouxeram mais segurança para o trabalho no campo.
“Agora a gente entende melhor como cuidar de cada muda de Baunilha do Cerrado, como estruturar e organizar o viveiro e como isso pode gerar uma renda significativa para a família. Dá mais confiança para permanecer na comunidade e defender o Cerrado de Pé.”
Segundo AnaJulia Heringer, instrutora do curso e responsável pelo acompanhamento técnico das áreas produtivas, o avanço observado demonstra o engajamento das comunidades e o potencial da cultura no território.
“É muito significativo ver o cuidado com cada muda, a organização dos viveiros e o interesse das famílias em aprender e aprimorar o manejo. A baunilha do Cerrado tem grande potencial produtivo e, com o acompanhamento adequado, pode se tornar uma importante fonte de renda para as comunidades.”
Como desdobramento das atividades em campo, está em fase final de preparação uma visita de intercâmbio para que lideranças comunitárias conheçam experiências consolidadas de organização produtiva e gestão de recursos. Essa ação vai incluir iniciativas de bancos comunitários de sementes agroecológicas, sistemas participativos de certificação da produção e tecnologias sociais de captação de água da chuva.
A ação integra o eixo de agroextrativismo do Projeto GEF Áreas Privadas, que tem como objetivo fortalecer sistemas produtivos sustentáveis e a governança no território, melhorar o estágio de maturidade organizacional, promover geração de renda e valorizar o conhecimento tradicional associado ao uso dos recursos naturais do Cerrado.

O acompanhamento contínuo das áreas produtivas reforça a importância do agroextrativismo como estratégia integrada de conservação da biodiversidade, segurança hídrica e desenvolvimento local.
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Sobre o projeto
Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Na Mata Atlântica, o projeto é coexecutado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD) e no Cerrado pela Fundação Pró Natureza (Funatura). Os principais objetivos são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem, em áreas privadas no Brasil.