Oficina promovida pelo GEF Áreas Privadas promove processos educativos e comunicativos em dois territórios estratégicos
Em Silva Jardim (RJ) e na Vila de São Jorge (Alto Paraíso de Goiás), as oficinas de Produção Audiovisual para Conservação da Natureza reforçaram o compromisso do Projeto GEF Áreas Privadas com a formação socioambiental de comunidades e seus territórios
Na Oficina de Educomunicação do Projeto GEF Áreas Privadas, o audiovisual foi utilizado como ferramenta para que as próprias pessoas dos territórios possam narrar suas histórias e perspectivas. A iniciativa oferece instrumentos e formação para que moradores do Cerrado e da Mata Atlântica registrem, a partir de seus próprios olhares, as realidades, saberes e desafios de seus territórios.
Foi a partir dessa perspectiva que, sob a direção de Maria Bento, jovens e integrantes dessas comunidades se apoderaram das lentes e da direção cinematográfica para comunicar, à sua forma, as riquezas e tradições de um bioma a ser preservado.
Para além dos aprendizados técnicos como noções básicas de som, luz, imagem, roteiro e edição, a educomunicação foi o principal processo formativo da oficina. Por meio dela, práticas educativas e comunicativas consideram e valorizam o contexto socioambiental da comunidade local.
Essa construção inspira o pensamento crítico, promove a autonomia e, acima de tudo, o protagonismo social nas narrativas criadas e comunicadas.
Maria Bento, especialista na gestão de projetos educacionais audiovisuais para crianças e jovens, conta como a oficina permitiu aos participantes explorarem o universo do audiovisual enquanto uma ferramenta que educa, traduz e comunica sobre as tradições e a biodiversidade de um bioma:
“Nós partimos do conhecimento empírico dos participantes para construir uma narrativa sobre o território que trouxesse reflexão sobre suas questões ambientais. Para conservar, a gente precisa conhecê-las, entender quais são os problemas e propor soluções para agir coletivamente. A educomunicação contribui com a conservação a partir da mobilização de grupos capazes de refletir sobre o seu mundo e de traduzir essa reflexão com as próprias palavras e o próprio olhar. E quando você fecha esse processo educativo na oficina, você tem um produto que pode seguir multiplicando essa reflexão”.
Leonídio Maia, morador da comunidade quilombola Kalunga e guia turístico na região, compartilhou sobre os quatro dias vividos na Oficina de Educomunicação na Chapada dos Veadeiros.
“Foi uma experiência incrível aprender tudo isso em um set de filmagem simulado: o tempo, a preparação, as entradas em cena etc. Saímos daqui com muita experiência e contatos com pessoas engajadas nesse meio (socioambiental). Nós já temos a vivência da natureza – desde as ervas medicinais até a preservação do meio ambiente – e essa oficina nos ajuda a criar uma comunicação acessível, guiada pelo nosso olhar e que fala sobre o nosso bioma e suas riquezas. É uma produção feita de dentro para fora”.
“Essa oficina que tivemos durante quatro dias foi muito transformadora. Poder educar e comunicar de forma acessível leva ao verdadeiro sentido de aprender, que é poder compartilhar com os outros. Então, quero muito compartilhar com a minha comunidade tudo o que eu aprendi aqui, levando um pouco sobre o bioma onde eu nasci e cresci. Espero alcançar o máximo de pessoas para divulgar a palavra do Cerrado”, contou Bárbara Loyola, bióloga e condutora de visitantes.
A Analista Ambiental Iaci Menezes também compartilhou a sua experiência enquanto participante:
“A educomunicação é uma ferramenta muito valiosa na qual a gente acredita que, ao se multiplicar, conseguimos ter, por exemplo, um monitoramento constante das questões que acontecem aqui no território e a abertura do olhar crítico sobre as percepções do que iremos filmar. Muitas vezes, a comunicação acaba não alcançando os objetivos de multiplicação do conhecimento e da própria educação ambiental, então, a educomunicação enquanto uma ferramenta de apropriação para que você possa fazer seus registros, sua expressão e suas denúncias, é de um valor inestimável”.
Durante os dias de oficina, a turma produziu um curta-metragem que será submetido no Circuito Tela Verde, política pública do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania (DEA) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O circuito seleciona e reúne vídeos com conteúdos de temática ambiental para serem exibidos na Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente.

A analista ambiental do DEA/MMA Letícia Abadia reforçou a importância dessas iniciativas para a implementar a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) desde a ponta.
“Estamos percebendo um grande envolvimento nessas oficinas. É muito importante a gente incentivar essa participação social e a educomunicação, que é essa educação aliada à comunicação, fazendo com que as pessoas participem e sintam se sintam protagonistas dessa história para gerar uma educação ambiental crítica, participativa e transformadora da sociedade”.
Comprometido em mobilizar e engajar as pessoas nas ações de conservação, o Projeto GEF Áreas Privadas promoveu oficinas que dialogam diretamente com a Meta 22 da Estratégia e do Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB), que prevê assegurar para todos a participação na tomada de decisão e o acesso à justiça. Ao estimular processos participativos e educomunicativos, as atividades fortalecem o protagonismo das comunidades e se somam a iniciativas como as Salas Verdes, ao oferecer espaços de formação, diálogo e produção de narrativas sobre os próprios territórios, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e para a transformação social.
Na Vila de São Jorge, município de Alto Paraíso (GO), a oficina aconteceu entre os dias 23 e 26 de fevereiro e reuniu cerca de 20 jovens entre 18 e 29 anos, em sua maioria envolvidos com projetos de educação, cultura e meio ambiente – como guias, comunicadores populares, juventude agroextrativista e educadores do ensino formal e informal.
Em Silva Jardim (Rio de Janeiro), a Oficina de Educomunicação aconteceu entre 29 de janeiro e 1 de fevereiro. Esta teve um público predominantemente jovem, com crianças e jovens entre 10 e 21 anos que também vivenciaram o audiovisual enquanto uma ferramenta de expressão, consciência ambiental e cuidado com o território.
As Oficinas de Educomunicação foram executadas em parceria com a Verde Perto Socioambiental. Elas foram coordenadas pela Secretaria de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO) e pelo DEA do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), via Projeto GEF Áreas Privadas.
O Projeto GEF Áreas Privadas – Concretizando o potencial de conservação da biodiversidade em áreas privadas no Brasil é financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), sob a coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Os principais objetivos são ampliar o manejo sustentável da paisagem, contribuir para a conservação da biodiversidade e fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos em áreas privadas no Brasil.