GEF Áreas Privadas apoia 14 viveiros de baunilha na Chapada dos Veadeiros
Entrega de kits a produtores e produtoras de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e São João d’Aliança contribui para ampliar a produção da baunilha do Cerrado e gerar oportunidades de renda associadas à valorização da sociobiodiversidade
Para produtores e produtoras que vêm apostando no cultivo da baunilha do Cerrado na Chapada dos Veadeiros, ampliar a produção também passa por ter estrutura adequada para os viveiros. Sistemas de irrigação, sombreamento e ferramentas para o manejo estão entre as necessidades de quem trabalha para transformar o potencial de uma espécie nativa em oportunidade de geração de renda no território.
Para apoiar esse processo, o Projeto GEF Áreas Privadas realizou a entrega de 14 kits para implantação e ampliação de viveiros de baunilha. A iniciativa contempla produtores e produtoras dos municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e São João d’Aliança (GO) e atende a uma demanda apresentada por produtores da região.
A ação integra o eixo de Agroextrativismo do Projeto GEF Áreas Privadas, executado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), que atua no fortalecimento de atividades produtivas sustentáveis e de cadeias da sociobiodiversidade, buscando conciliar geração de renda, valorização dos territórios e conservação da biodiversidade.
Cada kit é composto por sistema de irrigação, com mangueira e caixa d’água de mil litros, carrinho de mão, sombrite, enxada, ancinho, pá e arame galvanizado. Os materiais oferecem melhores condições para estruturar os viveiros e apoiar as diferentes etapas de manejo e cultivo da baunilha.
Da biodiversidade à geração de renda
A entrega faz parte de uma estratégia mais ampla do eixo de Agroextrativismo do GEF Áreas Privadas, voltada ao desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis e à valorização das cadeias da sociobiodiversidade do Cerrado.
O trabalho parte do entendimento de que conservar a biodiversidade também envolve criar alternativas para que as populações que vivem e produzem nesses territórios possam gerar renda a partir de atividades compatíveis com a manutenção da vegetação nativa e o uso sustentável dos recursos naturais.
É nesse contexto que entram produtos da sociobiodiversidade, como a baunilha do Cerrado. Ao apoiar sua produção e contribuir para estruturar essa cadeia de valor, o projeto busca aproximar conservação, desenvolvimento local e valorização dos conhecimentos e das práticas existentes no território.
Para Gustavo Assis, coordenador de agroextrativismo do projeto, investir nessas cadeias significa também reconhecer o protagonismo dos agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais na conservação do Cerrado.
“Quando apoiamos uma cadeia da sociobiodiversidade, criamos condições para que a conservação também gere oportunidades para quem vive e produz no território. A baunilha do Cerrado tem um potencial enorme na Chapada dos Veadeiros. Estruturar esses viveiros é um passo fundamental para ganhar escala na produção, gerar renda e mostrar que o desenvolvimento econômico pode caminhar lado a lado com a preservação. Além disso, prevemos que o aumento na oferta dessas mudas nativas possibilitará, em breve, o repovoamento e a reintrodução da espécie em seu habitat natural”, destaca.
Estrutura para quem produz
Para quem está diretamente envolvido com o cultivo, a chegada dos equipamentos tem um significado bastante concreto. Irrigação, sombreamento adequado e ferramentas de manejo fazem parte da estrutura necessária para manter os viveiros e criar condições para aumentar a produção.
Delmy Torres, produtor rural contemplado pela iniciativa, destaca que o apoio permite avançar em uma atividade que vem despertando o interesse de produtores da região.
“Para quem está produzindo, ter uma estrutura melhor faz muita diferença. O kit ajuda a organizar e ampliar o viveiro e dá mais condições para trabalhar com a baunilha. É um incentivo para continuarmos investindo nessa produção e enxergando nela uma possibilidade de geração de renda para as famílias da região, junto com a conservação do Cerrado”, afirma.
A perspectiva de quem recebe os equipamentos reforça um dos objetivos do eixo de Agroextrativismo: fazer com que as ações desenvolvidas no âmbito do projeto se traduzam em melhores condições para quem está no território, conectando o potencial dos produtos nativos às oportunidades econômicas locais.
Uma cadeia que pode continuar crescendo
A entrega dos kits também dialoga com uma nova etapa de trabalho com produtos da sociobiodiversidade na Chapada dos Veadeiros. A ação contribui para o engajamento de produtores e produtoras nas atividades que antecedem o início da execução do recém-aprovado Projeto Copaíbas – Baru com Baunilha: Sociobioeconomia na Chapada dos Veadeiros.
A perspectiva é dar continuidade ao desenvolvimento de cadeias de valor capazes de combinar produção, geração de renda e conservação, aproveitando conhecimentos construídos no território e ampliando as oportunidades relacionadas aos produtos nativos do Cerrado.
Ao apoiar a implantação e a ampliação dos 14 viveiros, o GEF Áreas Privadas contribui não apenas com a estrutura necessária ao cultivo da baunilha, mas com um processo mais amplo de valorização da sociobiodiversidade e de construção de alternativas econômicas vinculadas à conservação.
Texto: Lara Requia